Ele ganhou a maratona descalço! Conheça a história de Abebe Bikila
Abebe Bikila (Jato, 7 de agosto de 1932 - Adis Abeba, 25 de outubro de 1973) foi um maratonista etíope, filho de um pastor de ovelhas do interior da Etiópia e capitão da guarda real do imperador Hailé Selassié.
Foi o primeiro homem a vencer duas maratonas olímpicas e é considerado por muitos especialistas como o maior maratonista de todos os tempos. Em 2012, foi imortalizado no Hall da Fama do atletismo, criado no mesmo ano como parte das celebrações pelo centenário da IAAF. Em 1960, Bikila foi incluído na equipe de atletismo apenas no último momento, quando o avião já se preparava para partir para Roma, no lugar de outro atleta, Wami Biratu, que havia quebrado o tornozelo durante uma partida de futebol. Niskanen resolveu inscrever Bikila e Abebe Wakgira na disputa da maratona.
A Adidas, patrocinadora oficial dos Jogos Olímpicos de 1960, tinha apenas poucos pares disponíveis quando Bikila foi experimentar um deles para usar na corrida. Nenhum deles o deixava confortável e ele então resolveu correr descalço, a mesma maneira como sempre tinha treinado.
Seu técnico, Niskanen, o havia advertido sobre os concorrentes mais fortes que iria encontrar, especificamente um corredor do Marrocos, Rhadi Ben Abdesselam, que deveria estar usando o número 26. Por alguma razão, entretanto, Rhadi não tinha pego o seu número preto 26 referente à maratona e estava usando o número 185 das competições de pista em que tinha participado.
A prova contou com 69 participantes e pela primeira vez foi disputada à noite, com guardas italianos segurando tochas ao longo do caminho. Seu plano foi bastante curioso. Ao fazer o reconhecimento do trajeto, alguns dias antes, ele observou o Obelisco de Axum, que tinha sido retirado da Etiópia por tropas italianas. O obelisco estava a 1,5 quilômetro da linha de chegada, bem no ponto em que o maratonista deveria dar a arrancada final.
Durante a corrida, ele passou diversos corredores procurando pelo número 26, que não existia.
Na metade da prova, ele e o número 185, correndo juntos, haviam aberto uma grande distância para os demais corredores e Bikila continuou forçando o ritmo, atrás do número 26 que supunha estar mais à frente, mas corria ao seu lado. Os dois ficaram juntos quase até o final da prova, quando então Bikila deu a arrancada final e cruzou a faixa de chegada, sob o Arco de Constantino, com o tempo de 2 h 15 min 16 s, recorde mundial, tornando-se o primeiro negro africano a ganhar uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos.
O marroquino Rhadi chegou exatos 25s atrás dele.
Após a corrida, entrevistado e perguntado porque havia corrido descalço, Bikila respondeu que "queria que o mundo soubesse que meu país, a Etiópia, sempre tinha conseguido suas vitórias com heroísmo e determinação".
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PESQUISA: MAGNO MOREIRA

